EUA vão estar fortemente envolvidos com petróleo da Venezuela, afirma Trump

Após operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro, presidente americano destaca interesse de petroleiras dos Estados Unidos no setor energético venezuelano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que o país estará “muito fortemente envolvido” na indústria petrolífera da Venezuela.

A declaração foi dada à Fox News após a confirmação de uma operação militar de grande escala que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em território venezuelano.

Segundo Trump, o objetivo é envolver as grandes empresas de petróleo americanas no setor energético do país sul-americano.

Interesse estratégico e setor energético

A manifestação de Trump ocorre em um momento de incerteza sobre o futuro da PDVSA, a estatal de petróleo da Venezuela. O presidente americano ressaltou que os Estados Unidos possuem as maiores empresas do setor e que elas atuarão diretamente na região.

Antes da incursão militar, os EUA já haviam estabelecido um bloqueio ao petróleo venezuelano em dezembro, o que reduziu as exportações do país pela metade em comparação ao mês anterior.

Apesar da operação militar que atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, fontes informaram que a produção e o refino de petróleo operavam normalmente no sábado e não sofreram danos diretos decorrentes dos ataques.

Contudo, o sistema administrativo da PDVSA ainda enfrenta dificuldades para se recuperar de um ataque cibernético ocorrido no final do ano passado.

Detalhes da operação e justificativa jurídica

A captura de Maduro foi executada pela Força Delta, unidade de elite do Exército dos EUA, com apoio de inteligência da CIA e da polícia americana.

A ação, autorizada por Trump há alguns dias, retirou o líder venezuelano do país para que ele enfrente processos judiciais em solo americano por acusações de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína.

A administração americana justificou a intervenção com base na autoridade de Trump como comandante-chefe das Forças Armadas, conforme o Artigo II da Constituição dos EUA.

O regime venezuelano, por sua vez, classificou o ato como uma “agressão criminosa” e declarou emergência nacional.

Ataque não atingiu estrutura petrolífera

A produção e o refino de petróleo da Venezuela, controlados pelo Estado, operam normalmente neste sábado (3) e não sofreram nenhum dano no ataque dos EUA que retirou o presidente do país, disseram duas fontes com conhecimento das operações da empresa de energia PDVSA (Petróleos de Venezuela SA).

As forças dos EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro depois de meses de pressão sobre ele por acusações de tráfico de drogas e ilegitimidade no poder. O porto de La Guaira, próximo a Caracas, um dos maiores do país, mas que não é usado para exportação de petróleo, teria sofrido graves danos, segundo uma das fontes.

Em dezembro do ano passado, Trump anunciou um bloqueio aos navios petroleiros que entram ou saem do país e os EUA apreenderam duas cargas de petróleo venezuelano.

Isso reduziu as exportações do país da Opep no mês passado para cerca de metade dos 950.000 barris por dia (bpd) que foram enviados em novembro, de acordo com dados de monitoramento e documentos internos.

As medidas dos EUA fizeram com que muitos proprietários de embarcações se afastassem das águas venezuelanas, o que aumentou rapidamente os estoques de petróleo e combustível da PDVSA.

A PDVSA foi forçada a desacelerar as entregas nos portos e armazenar petróleo em navios-tanque para evitar cortes na produção de petróleo ou no refino.

O sistema administrativo da PDVSA também não se recuperou totalmente de um ataque cibernético em dezembro que a obrigou a isolar terminais, campos de petróleo e refinarias de seu sistema central e a recorrer a registros escritos para continuar as operações.

Fonte:CNN Brasil.